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		<title>Post Scriptum</title>
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		<title>No escuro, de escuro.</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 22:09:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago P. S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[prosa]]></category>

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		<description><![CDATA[Ela não sabia como conseguira dirigir até ali; na verdade, ela nem ao menos se lembrava do caminho de volta. Ao sair do carro, trôpega, prostrada, tentou trancar as portas, raspando o espalhafatoso chaveiro de pelúcia cor-de-rosa na lataria preta, mas suas mãos não paravam de tremer. Ficou nessa tentativa por uns bons dois minutos. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiagops.wordpress.com&blog=583514&post=50&subd=tiagops&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Ela não sabia como conseguira dirigir até ali; na verdade, ela nem ao menos se lembrava do caminho de volta. Ao sair do carro, trôpega, prostrada, tentou trancar as portas, raspando o espalhafatoso chaveiro de pelúcia cor-de-rosa na lataria preta, mas suas mãos não paravam de tremer. Ficou nessa tentativa por uns bons dois minutos. Êxtase mórbido, dores pelo corpo, olheiras que, agora, já não importavam mais. Algo do tamanho de uma maçã trancava-a pela garganta, sufocava-a em si mesma, envergava-a para olhar o chão sujo da garagem do edifício. Quando finalmente conseguiu completar o semigiro de pulso e trancar o carro, apoiou-se no capô com a mão esquerda &#8211; elegantemente vestida com uma luva preta, daquelas usadas no século XIX-, e, como que bêbada, procurou em vão por um ombro amigo, erguendo o outro braço em direção ao nada; movimento patético de quem se vê sozinha mesmo sem acreditar.</p>
<p>Ele morrera de forma violenta. Vítima de latrocínio, fora abordado em rua escura por dois sujeitos que vestiam pesadas máscaras de lã – sempre escuras, como nos filmes. Levaram-no o carro e a vida. Dois tiros no rosto bastaram para que uma história inteira de risos e lágrimas terminasse em dois curtos e agudos tons; espoletas seguidas por um eterno e escuro silêncio. </p>
<p>Não conseguira chorar durante o velório, nem durante o enterro. Este, curto, acompanhado pelos poucos amigos do falecido e por algumas amizades em comum, foi para ela como um quadro modernista de que pouco se absorve. Suas amigas mais próximas, antevendo um provável choque, chegaram a insistir para que ela dormisse na companhia de alguma delas; a viúva, no entanto, repeliu a idéia com veemência e até certa rispidez, deixando claro que, no instante em que saísse de lá, ela precisaria (ou, ainda, queria) ficar sozinha. Como quem deseja acostumar-se à nova situação o mais rápido possível.</p>
<p>Afastando o lenço negro do pescoço, como quem afrouxa uma gravata, ela jogou um braço por cima do teto do carro, abraçando-o; seu pé esquerdo tentava inutilmente equilibrar-se no salto, mas o tremor e a exaustão do seu corpo eram tão grandes que o faziam bambear para um lado e para o outro, de forma frenética, descontrolada. Era como se ela estivesse à beira de uma síncope fatal, fulminante, definitiva, mas que a tiraria finalmente daquele âmbar torpe para levá-la para algum lugar melhor. Nada poderia ser pior que aquela prisão de sentidos. Não conseguia fixar os olhos em nada; apenas percorriam a garagem, úmidos, desfocados, desinteressados do mundo. Quando finalmente pôde focar-se em algo, foi encarar justamente a unha pintada de vermelho, para em seguida encontrar, assustando o olhar e a mente, a reluzente aliança dourada. Foi como se uma besta lhe arrancasse a maçã com as mãos; o choro veio baixo, como sempre era, mas forte como nunca foi. Tudo no seu corpo trêmulo era só pranto e sofrimento; ela chorava com as mãos, com a coluna, com os pulmões, com os lábios. Escorregando e ancorando-se na lataria do carro, deixou-se sentar no chão sujo da garagem, costas apoiadas no pneu dianteiro; ela rasgou a saia e o coração.</p>
<p>Sem dar-se conta do ocorrido, um desavisado porteiro acabou por desligar a luz da garagem, acreditando que não havia mais ninguém por ali. Ela nem ao menos se deu conta da falta de luz; abraçada às próprias pernas, chorava como uma criança abandonada no frio, batendo de leve a nuca contra o pneu molhado pela chuva que caía lá fora. Às vezes interrompia o discreto choro para tomar fôlego e recomeçar; e, nestes curtos espaços de silêncio absoluto, conseguia sentir uma saudade gelada, mórbida, que lhe comprimia o coração. No entanto, tão logo o choro recomeçava, voltava o desespero da sofreguidão absoluta, sem rosto, sem luz. Via-se cada vez mais irritada por não conseguir trazer, à memória, o rosto dele; e quanto mais se esforçava, mais impotente se sentia. Tudo a lembrava ele; a maquiagem que escorria transformava-se nas costas de suas mãos macias e quentes; o escuro que a envolvia trazia de volta o quarto sabido de cor, os pulos às cegas na cama de casal; o odor desagradável dos carros transmutava-se e cheirava a perfume dele, um dos que ele costumava usar antes de ir à rua. Apesar de tantas palavras e cenas que a esmurravam caoticamente, o rosto do seu homem teimava em não surgir; e tais memórias não a faziam acreditar que seu choro vinha delas. Ela queria mais. Queria despedir-se, agarrá-lo, chorar em seus ombros. Dizer-lhe o que não costumava dizer com palavras.</p>
<p>Quando pôde, finalmente, vê-lo no escuro do choro, um riso breve, sofrido e louco escapou-lhe aos lábios.</p>
<p>- Eu também te amo – ela disse, desta vez em voz alta.</p>
<p><font size="-3"><em>(Texto escrito em meados de 2004)</em></font></p>
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		<title>De quinta para sexta.</title>
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		<pubDate>Sat, 08 Aug 2009 00:48:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago P. S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[prosa]]></category>

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		<description><![CDATA[Oi amigo. Sonhei contigo hoje&#8230; De quinta para sexta.
Aquele dia&#8230; Parece que foi ontem. Parece que não foi.
Acordei confuso. Curioso como os sonhos tendem a evaporar-se quando acordamos. Como se a nossa parte racional borrasse aquilo tudo. Mas este sonho foi um pouco diferente dos normais, sabe?
Tinha uma mesa. Como sempre.
E falávamos; eu dei três [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiagops.wordpress.com&blog=583514&post=44&subd=tiagops&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Oi amigo. Sonhei contigo hoje&#8230; De quinta para sexta.</p>
<p>Aquele dia&#8230; Parece que foi ontem. Parece que não foi.</p>
<p>Acordei confuso. Curioso como os sonhos tendem a evaporar-se quando acordamos. Como se a nossa parte racional borrasse aquilo tudo. Mas este sonho foi um pouco diferente dos normais, sabe?</p>
<p>Tinha uma mesa. Como sempre.</p>
<p>E falávamos; eu dei três palmadas no seu coração, de leve, “te amo”. E você me dizia que estava tudo bem, e que já tinha entendido tudo. “Mudando de assunto&#8230;”; mudamos. E sorriu. Esta foi a parte diferente, era menos aerada, mais sensorial.</p>
<p>As outras partes foram mais como os sonhos que costumo ter. Foram rápidas, as histórias se cruzavam, alguém queria comprar um carro e aquilo tudo te aborreceu um pouco. Afinal, que tem a ver compra de carro com música, certo? Com arte. Com amizade. Com família. Com uma boa conversa.</p>
<p>Será que a gente sente saudade só em relação a um sentido específico? Dois, no máximo? Visão, por exemplo. A foto mostra, mas não apresenta. Audição: as gravações, os vídeos&#8230; Mas é quando aperto os olhos para espremer a memória que as mensagens ficam mais reais, e mais distantes ao mesmo tempo. Falta&#8230;</p>
<p>Falta a conversa, claro.</p>
<p>Lembrar da sua risada é fácil. Das molequices, das horas sérias. Do coração gigante, que às vezes se achava triste, mas que na verdade queria era engolir o mundo, relevar todas as confusões, riscar os problemas e dizer “quanto mais gente se sentindo bem, melhor. Aliás, aumenta o som”.</p>
<p>Dos hábitos e dos causos, mais fácil ainda. Da pontualidade que só era atrapalhada se no caminho não houvesse mercado – ou se ele fosse muito chique. “Mercado chique só tem comida cara e cerveja estranha”.</p>
<p>Lembrar dos projetos é mais difícil. Dezenas, que se acumulavam e só podiam ser explicados por você (agenda nenhuma entenderia). De alguma forma que até hoje eu não entendi, nada disso atrapalhava o ganha-pão. “Dá tempo, dá tempo”. É. Assim como as suas palavras viravam músicas, os seus múltiplos compromissos cabiam em uma única semana. Você criava tempo da mesma forma que criava arte. E a responsabilidade aparecia, sorrindo, em meio ao aparente caos. “Viu? Sempre dá tempo”.</p>
<p>Quer saber? Eu, que reclamo de tudo, não vou reclamar de que não deu tempo de fazer certas coisas, então. Que tenha dado tempo. E que depois eu te conte o resto.</p>
<p>Pode deixar. Eu aumento o som.</p>
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		<title>Tributo ao São Patrício.</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Mar 2009 18:08:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago P. S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[prosa]]></category>

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		<description><![CDATA[João Barbacena
Quando a minha mãe caiu na lagoa, sabe?, eu joguei um barril de cerveja, porque eu sabia que ele ia boiar, né? Mas ela acabou bebendo a cerveja toda, e acho que desistiu de se salvar, não sei. Só sei que nunca mais vou esquecer daquele sorriso! A cerveja fez a passagem da minha [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiagops.wordpress.com&blog=583514&post=42&subd=tiagops&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>João Barbacena</p>
<p>Quando a minha mãe caiu na lagoa, sabe?, eu joguei um barril de cerveja, porque eu sabia que ele ia boiar, né? Mas ela acabou bebendo a cerveja toda, e acho que desistiu de se salvar, não sei. Só sei que nunca mais vou esquecer daquele sorriso! A cerveja fez a passagem da minha mãe ser menos dolorosa, entende? E eu sou grato por isso.</p>
<p>&#8211;++&#8211;</p>
<p>Flávia Campos</p>
<p>O que eu acho de cerveja? É demais&#8230;!</p>
<p>&#8211;++&#8211;</p>
<p>Pedro da Concórdia</p>
<p>Um dia, eu andava assim, lá no mato, lá perto do riacho, quando eu vi um homenzinho verde, de uns 90 centímetros, com uma coisa assim que parecia uma arma na mão, e ele me disse com uma voz meio de televisão, sabe moço?, ele me disse: &#8220;a sua vida ou algo de valor!&#8221;. A minha sorte é que eu estava com uma garrafa de cerveja na mão, viu?, porque aí eu dei a garrafa pra ele, e o homenzinho provou e adorou, e disse &#8220;humano, isso é muito, muito bom&#8221;, e você precisava ver a cara dele, seu moço! Agora, somos bons amigos&#8230; Quem ia dizer, né? Ontem mesmo eu tomei uma gelada com ele e&#8230;</p>
<p>&#8211;++&#8211;</p>
<p>Romualdo de Alcântara</p>
<p>A cerveja mudou a minha vida. Antes eu era um perdido&#8230; Agora eu simplesmente não me importo. É genial.</p>
<p>&#8211;++&#8211;</p>
<p>Cíntia Janiktstoff</p>
<p>O meu médico homeopata só me recomenda a tal da cerveja, agora. Ele diz que o lúpulo e a cevada têm princípios benéficos a quase todas às regiões do corpo. Eu não deixo de tomar, tem que ser todo dia! Tod-do-di-a. E desde que comecei, nunca mais fiquei doente&#8230; Pelo menos que eu lembre.</p>
<p>&#8211;++&#8211;</p>
<p>Luís Lamar</p>
<p>Pra mim, é Deus no céu e Cerveja na terra.</p>
<p>&#8211;++&#8211;</p>
<p>(LOCUTOR)<br />
Cerveja. Entre nessa você também.</p>
<p><em>Texto em homenagem ao dia de ontem.<br />
Nomes e fatos fictícios.</em></p>
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	</item>
		<item>
		<title>Lembrar.</title>
		<link>http://tiagops.wordpress.com/2009/02/19/lembrar/</link>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2009 18:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago P. S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[prosa]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Não, não, a minha memória não é boa. Ao contrário, é comparável a alguém que tivesse vivido por hospedarias, sem guardar delas nem caras nem nomes, e somente raras circunstâncias. A quem passe a vida na mesma casa de família, com os seus eternos móveis e costumes, pessoas e afeições, é que se lhe grava [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiagops.wordpress.com&blog=583514&post=37&subd=tiagops&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#8220;<em>Não, não, a minha memória não é boa. Ao contrário, é comparável a alguém que tivesse vivido por hospedarias, sem guardar delas nem caras nem nomes, e somente raras circunstâncias. A quem passe a vida na mesma casa de família, com os seus eternos móveis e costumes, pessoas e afeições, é que se lhe grava tudo pela continuidade e repetição. Como eu invejo os que não esqueceram a cor das primeiras calças que vestiram! Eu não atino com a das que enfiei ontem. Juro só que não eram amarelas porque execro essa cor; mas isso mesmo pode ser olvido e confusão</em>&#8220;<br />
- Dom Casmurro, Machado de Assis</p>
<p>Eu me lembro de algumas cenas. Um dia liguei para casa e a minha avó atendeu.<br />
- Oi, chama a mãe, por favor.<br />
- O Tiago não está.<br />
- Vó, sou eu!<br />
- Ele saiu.<br />
E era verdade, eu tinha saído.<br />
Lembro-me que uns guardas rodoviários jogavam PlayStation 2 na sala da AutoBan quando fomos buscar ajuda – o jipe quebrara. Lembro-me que, por três reais e alguma vontade, almoçava-se no Wal-Mart meio sanduíche no pão bengala. E maçãs.<br />
Lembro-me que os pais de um amigo dormiam – ou dormem – com o rádio ligado em um volume consideravelmente alto. E que o pai de outro amigo tomava choque quando se encostava à carroceria de sua Kombi. Apelidamo-la de Pikachu (era providencialmente amarela).<br />
Lembro-me de quando voltava para casa de lugares realmente distantes, andando como um cigano em fuga. Algo como &#8220;sair de Moema e andar até a Saúde&#8221;. Eu, uns poucos amigos e algumas garrafas de vinho barato. Na época, os 7Eleven ainda existiam.</p>
<p>Lembro-me que escrevi um poema na areia. Demorei bastante no ato cursivo; não sou bom escriba. Ei-lo:</p>
<p>Todos<br />
sem exceção<br />
sabem que<br />
depois<br />
não há nada.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Dorflex.</title>
		<link>http://tiagops.wordpress.com/2008/12/23/dorflex/</link>
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		<pubDate>Tue, 23 Dec 2008 20:39:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago P. S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://tiagops.wordpress.com/?p=30</guid>
		<description><![CDATA[Vejo em minhas costas curvadas
a curva da minha existência de maquinaria;
ou melhor, não vejo; miopia.
Alguém por perto grita, meu coração tapa
as artérias. Não escuto, não aceito, não concordo.
Faço-me difícil e não agarro a chance; solto.
Flexiono a dor e o tempo. Projeto o sorriso
à frente dos fatos; espero-os, não os crio.
Fraco, medroso, vazio.
Me aperto. No mal [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiagops.wordpress.com&blog=583514&post=30&subd=tiagops&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Vejo em minhas costas curvadas<br />
a curva da minha existência de maquinaria;<br />
ou melhor, não vejo; miopia.</p>
<p>Alguém por perto grita, meu coração tapa<br />
as artérias. Não escuto, não aceito, não concordo.<br />
Faço-me difícil e não agarro a chance; solto.</p>
<p>Flexiono a dor e o tempo. Projeto o sorriso<br />
à frente dos fatos; espero-os, não os crio.<br />
Fraco, medroso, vazio.</p>
<p>Me aperto. No mal sentido. Dedos que se fecham<br />
sobre minha própria face, como dentes fracos.<br />
Vitórias que se tornam erros. Crassos.</p>
<p>&#8230;</p>
<p>Somos muito responsáveis. Para conosco, para com os outros, para com o restante e com o tudo.<br />
Talvez devêssemos andar para o lado. Deixaríamos de ser um exemplo; seríamos um abuso.</p>
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			<media:title type="html">Tiago P. S.</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Sinal sonoro no vácuo.</title>
		<link>http://tiagops.wordpress.com/2008/08/25/sinal-sonoro-no-vacuo/</link>
		<comments>http://tiagops.wordpress.com/2008/08/25/sinal-sonoro-no-vacuo/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 25 Aug 2008 17:20:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago P. S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
 
Eu gosto de esfregar o rosto com a mão.
A mão contra o rosto, e vice-versa.
Eu tiro os óculos e esfrego, massageio, localizo.
Eu contraio e belisco, indicador contra dedão.
 
Os polegares passeiam entre a falta de pensamento
e a ausência de coragem.
Se eu ainda não tomei banho, supostamente sujos.
Se já tomei, pretensamente limpos.
 
E sempre descrentes do mundo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiagops.wordpress.com&blog=583514&post=21&subd=tiagops&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"> </p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Eu gosto de esfregar o rosto com a mão.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">A mão contra o rosto, e vice-versa.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Eu tiro os óculos e esfrego, massageio, localizo.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Eu contraio e belisco, indicador contra dedão.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Os polegares passeiam entre a falta de pensamento</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">e a ausência de coragem.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Se eu ainda não tomei banho, supostamente sujos.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Se já tomei, pretensamente limpos.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">E sempre descrentes do mundo abstrato.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Eu aperto a carne e expurgo tudo.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Viro acéfalo. Fico mudo.</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;"> </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0;"><span style="font-size:small;"><span style="font-family:Calibri;">Eu estou cansado.</span></span></p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/tiagops.wordpress.com/21/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/tiagops.wordpress.com/21/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tiagops.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tiagops.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tiagops.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tiagops.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tiagops.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tiagops.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tiagops.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tiagops.wordpress.com/21/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tiagops.wordpress.com/21/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tiagops.wordpress.com/21/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiagops.wordpress.com&blog=583514&post=21&subd=tiagops&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Tiago P. S.</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Placa miorrelaxante.</title>
		<link>http://tiagops.wordpress.com/2007/11/21/placa-miorrelaxante/</link>
		<comments>http://tiagops.wordpress.com/2007/11/21/placa-miorrelaxante/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 21 Nov 2007 22:43:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago P. S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[prosa]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Este ano vai ser artístico&#8221;.
Escrito no início de 2007, atrás de um relatório impresso; rascunho feito numa reunião desinteressante.
&#8220;O mundo vai acender um incenso.
Meu pé vai secar.
Meus dedos vão teclar.
E os óculos serão outros&#8221;.
Os óculos já são outros. Ainda não visitei um ortopedista, ou um oftalmo, ou um oráculo; apenas um infectologista. Não visitei muitos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiagops.wordpress.com&blog=583514&post=18&subd=tiagops&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>&#8220;Este ano vai ser artístico&#8221;.<br />
Escrito no início de 2007, atrás de um relatório impresso; rascunho feito numa reunião desinteressante.<br />
&#8220;O mundo vai acender um incenso.<br />
Meu pé vai secar.<br />
Meus dedos vão teclar.<br />
E os óculos serão outros&#8221;.</p>
<p>Os óculos já são outros. Ainda não visitei um ortopedista, ou um oftalmo, ou um oráculo; apenas um infectologista. Não visitei muitos amigos, ainda. Não visitei ginecologista porque não preciso. Preciso arrumar o meu quarto. Fazer planos para este ano. Planos que não serão cumpridos, mas nunca deixarão de ser efetivos. Preciso de mais saúde. De mais calma. Preciso ter uma idéia genial para ganhar dinheiro. Algo inédito. Mais ganância e menos sonhos. Depender menos de dinheiro. E de horas de sono. Preciso de mais momentos, menos chuva; mais textos, menos números. Eu poderia aprender a pintar. Um tanto feminino, talvez; mas nem tanto: sujaria o chão do meu quarto. Mas seria uma sujeira controlada, restrita a um único quadrante, de origem conhecida e fronteira definida. Algo modernista e, ao mesmo tempo, sóbrio. Talvez, assim, eu passasse a ranger menos os dentes, apesar de ter me apaixonado pela placa.</p>
<p>Apaixonei-me pela placa.</p>
<p>Essa, que me lembra uma proteção daquelas usadas por pugilistas, dorme ao meu lado protegendo-me dos meus sonhos afiados; dos meus pensamentos asmáticos. Melhor: não ao meu lado, mas em mim. Pertence-me e me come. Ou me impede de comer a mim mesmo, que seja.</p>
<p>Por fim, ela me machuca quando a traio.</p>
<p>Devo voltar. Quebrar a placa que me separa daqui e do resto.</p>
<p>É difícil voltar.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/tiagops.wordpress.com/18/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/tiagops.wordpress.com/18/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tiagops.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tiagops.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tiagops.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tiagops.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tiagops.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tiagops.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tiagops.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tiagops.wordpress.com/18/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tiagops.wordpress.com/18/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tiagops.wordpress.com/18/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiagops.wordpress.com&blog=583514&post=18&subd=tiagops&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Tiago P. S.</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Acorda.</title>
		<link>http://tiagops.wordpress.com/2007/06/15/acorda/</link>
		<comments>http://tiagops.wordpress.com/2007/06/15/acorda/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 15 Jun 2007 13:01:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago P. S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Escrevi uma poesia. Apaguei.
Não me senti capaz de ser
aqui o que tenho sido e serei:
constante entardecer.
Estranho, escrever e apagar.
É como adormecer e acordar:
o que é real, sorri;
o que foi, não vi.
Descartei. Era extremamente pútrida!
Admito até que pretensiosamente lúdica,
mesmo sabendo que de game não há nada
nessa existência exacerbada e desesperada.
Portanto registro, ao invés de areia, água.
Que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiagops.wordpress.com&blog=583514&post=17&subd=tiagops&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Escrevi uma poesia. Apaguei.<br />
Não me senti capaz de ser<br />
aqui o que tenho sido e serei:<br />
constante entardecer.</p>
<p>Estranho, escrever e apagar.<br />
É como adormecer e acordar:<br />
o que é real, sorri;<br />
o que foi, não vi.</p>
<p>Descartei. Era extremamente pútrida!<br />
Admito até que pretensiosamente lúdica,<br />
mesmo sabendo que de <em>game</em> não há nada<br />
nessa existência exacerbada e desesperada.</p>
<p>Portanto registro, ao invés de areia, água.<br />
Que nos lave em lágrima toda a mágoa<br />
e o sono psicológico que sinto falta.<br />
O absurdo que nessas linhas fala.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/tiagops.wordpress.com/17/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/tiagops.wordpress.com/17/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tiagops.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tiagops.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tiagops.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tiagops.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tiagops.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tiagops.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tiagops.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tiagops.wordpress.com/17/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tiagops.wordpress.com/17/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tiagops.wordpress.com/17/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiagops.wordpress.com&blog=583514&post=17&subd=tiagops&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Tiago P. S.</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Carta e uma notícia.</title>
		<link>http://tiagops.wordpress.com/2007/05/15/carta-e-uma-noticia/</link>
		<comments>http://tiagops.wordpress.com/2007/05/15/carta-e-uma-noticia/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 15 May 2007 20:51:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago P. S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[prosa]]></category>

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		<description><![CDATA[Cara Marcela&#8230; Preciso confessar-lhe algo. Algo que me estrangula a garganta há anos. Eis o fato: sou uma farsa. Sim, minha estimada; uma farsa. Em todas as esferas, no labor e nos círculos sociais, na família e no íntimo do quarto. Finjo satisfação profissional, finjo estabilidade financeira. Finjo sorrisos. E a verdade, minha amiga, a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiagops.wordpress.com&blog=583514&post=16&subd=tiagops&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Cara Marcela&#8230; Preciso confessar-lhe algo. Algo que me estrangula a garganta há anos. Eis o fato: sou uma farsa. Sim, minha estimada; uma farsa. Em todas as esferas, no labor e nos círculos sociais, na família e no íntimo do quarto. Finjo satisfação profissional, finjo estabilidade financeira. Finjo sorrisos. E a verdade, minha amiga, a verdade é que eu não sou nada disso. Não sou um tipo responsável, que acumula grandes riquezas e tem em seu velório uma grande amostra da mais alta sociedade em que vive. Não. A essa vida não almejo, não pertenço. Quero, mesmo, é vaguear pelas ruas dessa cidade de forma rasteira e desinteressada. Quero conhecer os desajustados, os pobres de matéria e ricos de espírito. Quero a gente simples, a discussão sonhadora. Sou poeta, Marcela. É o que costumo fazer às escondidas: observar tipos urbanos e romantizá-los, pintá-los com palavras. Quando digo que vou ao teatro ou trabalhar em fim de semana, minto; na verdade, sorvo das histórias que pipocam aos quatro cantos, nas ruas sem glamour, nos bares, no parque. As pessoas dizem sem nem mesmo abrir a boca &#8211; mas eu escuto, Marcela. E, com tais palavras, com esses rumos tão desconexos e cheios de cor, eu me encontro. E invento, e escrevo, e crio romances e desentendimentos que, de alguma forma, existem. E me sinto vivo, minha querida. É assim, com palavras, e entre lágrimas e sorrisos roubados, que respiro a verdade. O resto é mentira.</p>
<p>Portanto, que fique aí registrado, já que a minha saúde não anda lá muito bem: no meu velório, quero presentes apenas os vadios. Ninguém que se considere sério, bem-sucedido ou de estirpe. Que venham somente os artistas circenses, os poetas boêmios, os músicos trapezistas. E você.</p>
<img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/tiagops.wordpress.com/16/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/tiagops.wordpress.com/16/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/tiagops.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/tiagops.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/tiagops.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/tiagops.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/tiagops.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/tiagops.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/tiagops.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/tiagops.wordpress.com/16/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/tiagops.wordpress.com/16/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/tiagops.wordpress.com/16/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiagops.wordpress.com&blog=583514&post=16&subd=tiagops&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">Tiago P. S.</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Monólogo de teatro moderno.</title>
		<link>http://tiagops.wordpress.com/2007/03/28/monologo-de-teatro-moderno/</link>
		<comments>http://tiagops.wordpress.com/2007/03/28/monologo-de-teatro-moderno/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Mar 2007 20:25:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago P. S.</dc:creator>
				<category><![CDATA[prosa]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://tiagops.wordpress.com/2007/03/28/monologo-de-teatro-moderno/</guid>
		<description><![CDATA[- Ainda não estou nas mãos de agiotas. Ainda. Mas posso vir a; o que me causa certo desconforto moral. Até que ponto vale a pena? Entende? Se for apenas uma questão de tempo, é o caso então de abandonar tudo, correr enquanto posso, enquanto as minhas precocemente cansadas pernas me permitem. É&#8230; Talvez, um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=tiagops.wordpress.com&blog=583514&post=15&subd=tiagops&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>- Ainda não estou nas mãos de agiotas. Ainda. Mas posso vir a; o que me causa certo desconforto moral. Até que ponto vale a pena? Entende? Se for apenas uma questão de tempo, é o caso então de abandonar tudo, correr enquanto posso, enquanto as minhas precocemente cansadas pernas me permitem. É&#8230; Talvez, um dia, eu não apareça mais à sauna; talvez, numa manhã fria, eu desista de tentar alcançar a hora em que o metrô é mais vazio; ou, ainda, tome outro rumo, saia em outra estação, vá procurar improváveis pingüins no centro da cidade. Não seria mau. Melhor que encarar aqueles outros, os felizes, os sorridentes matutinos, os que ganham dinheiro com a maior facilidade plácida deste mundo. Ou melhor, simplesmente têm. Eles possuem. Eles conhecem. Eles. Amam trabalhar, vão para a Europa em julho e fazem academia das nove às onze da noite porque não sentem sono. São importantes: a maior prova empírica de que certamente há algo de errado comigo. Porque sinto mais sono que a soma de todos os soníferos do Hemisfério Sul. Eu não caibo em mim. Eu esfrego os olhos. Noutro dia sonhei que fora ao centro espírita, e o palestrante da noite incorporava um extraterrestre. O estrangeiro &#8211; que falava todas as línguas existentes &#8211; disse à platéia que nós, humanos, estamos vivendo três dias num só. “Não é bem isso”, respondi, astuto; “mas é como se fosse”, observou aquele. Ao fim, entendi. Talvez isso explicasse o dia passar tão depressa &#8211; estamos acelerados! &#8211; e, ao mesmo tempo, ser tão pesado &#8211; estamos vivendo muito! -; aliás, fato este que traz cá outra questão: por que correr tanto e minerar tanto, se o sono e os agiotas etéreos não desaparecem? Quase não há ganho nesse ritmo insano; ou, mesmo, de todo não há. E, na vida real, onde gasto muitos reais, um designer disse-me num bar, noite de solidão, drinks a mais: “espanta esse cinza e coloca uns borders nessa sua paleta caótica de cores”. Era uma frase de motivação, penso. Não entendi por completo, mas entendi o cinza. Eis a cor, meu amigo: o cinza.</p>
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