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Dorflex.

December 23, 2008

Vejo em minhas costas curvadas
a curva da minha existência de maquinaria;
ou melhor, não vejo; miopia.

Alguém por perto grita, meu coração tapa
as artérias. Não escuto, não aceito, não concordo.
Faço-me difícil e não agarro a chance; solto.

Flexiono a dor e o tempo. Projeto o sorriso
à frente dos fatos; espero-os, não os crio.
Fraco, medroso, vazio.

Me aperto. No mal sentido. Dedos que se fecham
sobre minha própria face, como dentes fracos.
Vitórias que se tornam erros. Crassos.

Somos muito responsáveis. Para conosco, para com os outros, para com o restante e com o tudo.
Talvez devêssemos andar para o lado. Deixaríamos de ser um exemplo; seríamos um abuso.

2 comments

  1. mais um texto daqueles que eu leio umas cinco vezes e reflito.
    intrigante e apreensivo.

    não direi que tudo irá melhorar, que será diferente ou que tudo ficará bem. verbo futuro não me agrada, beira o comodismo.
    o presente é mudança e está acontecendo.
    agora.
    feliz e sorrindo.


  2. tiagones… feliz 2009, e espero que muitos outros textos fodaços apareçam por aqui… e vamos nor ver um dia desses… abraço forte…



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